quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A ORALIDADE PERDIDA: “A Constância da Língua Geral em José de Anchieta”

foto: Google.

Devido a grande facilidade para línguas, José de Anchieta, dedicou-se ao ensino gramatical desde 1554, apesar de varias ocupações, tratou de aprender e falá-la com perfeição no breve espaço de 06 meses.
Uma grande variedade de gêneros, em línguas indígenas, foi produzida pelos missionários, que por sua vez utilizaram diversas formas de transmissão ou formação religiosa, somando-se a esses outros instrumentos tais como, os cantos, as poesias, os autos sacramentais e as procissões.
Em 1574 a arte da gramática de Anchieta, atestava as formas sintáticas de perpetuação da tradição religiosa, no entanto, somente a gramática tupi viria ao prelo em 1595, provavelmente por razões econômicas, porém os diálogos de Anchieta foram publicados em 1618, de forma adaptada, pelo padre Antonio Araujo, sob o nome de Catecismos na Língua Brasílica.
Anchieta de forma estratégica catequética criou a língua gramaticalizada geral, extensiva para a introdução dos indiozinhos desde cedo, onde os próprios filhos (índios) pequenos lhe serviam de interpretes.
Sobretudo quando se tratava da instrução dos índios mais velhos, era fundamental o uso da memória do mesmo para assimilação das doutrinas, pois era clara a relação entre a necessidade entre o que era dito pelo próprio índio e o que de fato estava em sua memória.
Embora o uso da “operação linguística” de catequese tenham trazido embaraços pelos fatos dos índios acharem o “sinal da cruz”, gestos obscenos, considerando que eles desconheciam as convenções que permitiam distinguir os gêneros discursivos. João Adolfo Hansen apontou o uso da Língua Geral como nova forma de organização de tempo e da memória, sendo que o jesuíta não operava apenas com a forma e a expressão do tupi, mas colonizava a própria substancia da expressão e o corpo numa nova percepção da língua indígena.
Desde o século XVI, devido a inconsistência dos índios, a instrução das crianças era estratégica no sentido da produção de Constancia de forma a erradicar os costumes e as vontades religiosas. Em carta no ano de 1554, Anchieta expõe a admissão de 130 índios para o catecismo e 6 para o batismo de varias idades e ambos os sexos. 
Nos textos jesuíticos, a figura do índio se encontra totalmente integrada à historia escatológica da humanidade, com as operações de invenção da língua geral, em suas formas e uso de suas praticas.
Após o uso dos materiais de doutrinas em língua geral forjados pelos jesuítas, tornou-se evidente o abandono da antropofagia ritual.



(“A Constância da Língua Geral em José de Anchieta”. In.:\ DAHER, Andrea. A Oralidade Perdida. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2012. 1º Ed. Pp 39-59.)

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