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Devido a grande facilidade
para línguas, José de Anchieta, dedicou-se ao ensino gramatical desde 1554,
apesar de varias ocupações, tratou de aprender e falá-la com perfeição no breve
espaço de 06 meses.
Uma grande variedade de
gêneros, em línguas indígenas, foi produzida pelos missionários, que por sua
vez utilizaram diversas formas de transmissão ou formação religiosa, somando-se
a esses outros instrumentos tais como, os cantos, as poesias, os autos
sacramentais e as procissões.
Em 1574 a arte da gramática
de Anchieta, atestava as formas sintáticas de perpetuação da tradição
religiosa, no entanto, somente a gramática tupi viria ao prelo em 1595, provavelmente
por razões econômicas, porém os diálogos de Anchieta foram publicados em 1618,
de forma adaptada, pelo padre Antonio Araujo, sob o nome de Catecismos na Língua
Brasílica.
Anchieta de forma
estratégica catequética criou a língua gramaticalizada geral, extensiva para a
introdução dos indiozinhos desde cedo, onde os próprios filhos (índios)
pequenos lhe serviam de interpretes.
Sobretudo quando se tratava
da instrução dos índios mais velhos, era fundamental o uso da memória do mesmo
para assimilação das doutrinas, pois era clara a relação entre a necessidade
entre o que era dito pelo próprio índio e o que de fato estava em sua memória.
Embora o uso da “operação
linguística” de catequese tenham trazido embaraços pelos fatos dos índios
acharem o “sinal da cruz”, gestos obscenos, considerando que eles desconheciam
as convenções que permitiam distinguir os gêneros discursivos. João Adolfo
Hansen apontou o uso da Língua Geral como nova forma de organização de tempo e
da memória, sendo que o jesuíta não operava apenas com a forma e a expressão do
tupi, mas colonizava a própria substancia da expressão e o corpo numa nova
percepção da língua indígena.
Desde o século XVI, devido a
inconsistência dos índios, a instrução das crianças era estratégica no sentido da
produção de Constancia de forma a erradicar os costumes e as vontades
religiosas. Em carta no ano de 1554, Anchieta expõe a admissão de 130 índios
para o catecismo e 6 para o batismo de varias idades e ambos os sexos.
Nos textos jesuíticos, a
figura do índio se encontra totalmente integrada à historia escatológica da
humanidade, com as operações de invenção da língua geral, em suas formas e uso
de suas praticas.
Após o uso dos materiais de
doutrinas em língua geral forjados pelos jesuítas, tornou-se evidente o
abandono da antropofagia ritual.
(“A Constância da Língua
Geral em José de Anchieta”. In.:\ DAHER, Andrea. A Oralidade Perdida. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2012.
1º Ed. Pp 39-59.)









